08 fevereiro 2011

Mulher fatal




Mataria o marido nesta noite. Ao invés de cianureto, overdose de Viagra.
O que não foi na vida, seria na morte.

17 dezembro 2010

PALAVRAS VIVAS


Com a caneta na mão e o papel branco a observá-lo, desenhou pensamentos em formas de letras, que se aglutinaram em palavras bordadas em versos. Estrofes eram braços e rimas, beijos para conquistá-la.

02 dezembro 2010

lançamento do livro FRACTAIS



PRISÃO DO TEMPO



Os filhos que não teve o esperavam na saída da prisão. Com eles, a amada que não conheceu os levaria à casa que não construiu. Ao trabalho que não conseguiu não precisaria ir na segunda-feira. Visitaria, então, sua mãe, que era avó de quem não nasceu e recordaria em álbuns o tempo que não viveu.

15 maio 2007

O fim do Uni-verso



Amigos leitores:

O ciclo do Uni-verso está se fechando. Nesses 20 meses, foram 47 posts com quase 7000 visualizações e, destas, mais de 500 resolveram deixar comentários.

Deixo aqui um resumo em forma das in-imagináveis visões do artista que me acompanhou e me acolheu Atlântico afora, o português João Figueiredo, mesclado por pequenos versos em retalhos de diversos poemas que aqui nasceram, como se o Uni-verso tivesse finalmente explodido ao som de Madredeus.

Sobreviverá a poesia ao fim do Uni-verso?

Sim. Pairarão sobre o nada e se cristalizarão noutro blog, ainda em gestação. Restam, por enquanto, meus outros blogs que seguem sua história, Contos & Encontros e Mini Contos Cotidianos, ou mesmo aquele que já passou para o lado de lá, Antes que Anoiteça, mas que, mesmo encerrado, continua sendo visualizado 150 vezes por mês.

A todos amigos, meu muito obrigado e até breve. Fiquem à vontade em assinar o livro de lembranças nos comentários. Quem sabe nos vemos de novo em alguma livraria?

23 março 2007

jogo de cena

post original de dezembro de 2005

Mirror Limbs - JoãoFigueiredo
O algoz de tuas melhores idéias
É o teu poderoso senso crítico
Que na lógica das centopéias
Tudo pisa com seu olhar analítico

Já o refém de teus pesadelos
É o medo de enfrentar tormentas
Mesmo que fuja para não tê-los
Prendem-te ao que lamentas

O vilão oculto de teus planos
Ronda sorrateiro tuas noites
Faz do certo teus enganos
E de carinhos rudes açoites

A vítima de tal mal-fadada sina
É a esperança que se desfaz
De encontrar a cada esquina
Refúgio tranqüilo de tua paz

Há ainda o juiz de teu gesto
Que a tudo pondera e resgata
Procura o equilíbrio indigesto
Entre o que agrada e destrata

Nesse cenário de grito e gargalhar
Moram os personagens de tua vida
Fazendo-te sorrir sem menos esperar
Ou chorar por cada perda contida

E no palco o que se encena
Para alguns é mera tragédia
Mas ao teu destino o que acena
Tem a força de ironia e comédia

06 março 2007

contigo soy

originalmente publicado em 30/11/2005
.
Quatro Caminhos (acrílico sobre tela)
Cerca de tus ojos
Soy un mar hermoso
Lejos, tenebroso
Cerca de tus pelos
Estrellas en navidad
Lejos, un cielo rojo
Noche de soledad
Tú sonrisa: playa en el verano
Tú ausencia: en glaciares, yo desnudo
Eres el sí, el más, el todo
Sin tú, yo roto, desarreglado y muerto.

06 fevereiro 2007

no ventre in-verso

[originalmente postado em 27/01/2006]

siga teu caminho, seja o rubro, o negro, o reto ou in-verso. Há mais na poesia que na vã filosofia...



O verso de meu verso
Assanha a alma insana
Conta o que encontra
Converte o que verte
O verso do verso dos meus versos
Acalma a estranha alma
Afronta o que não tem entranhas
Reverte o ventre
inerte
Já os versos sem verso
São espelhos sem ilusão
Palavras sem sombra
Penumbra
e solidão

19 janeiro 2007

pintor e criatura

[postado originalmente em dezembro de 2005]




No espaço que cabe
Arte e labor
De um traço
Nasce um corpo
Das cores em torpor
Vem um passo,
Voa um pássaro,
Anjo que vê a luz
Que escolhe e seduz
Atrás dos contornos

A tinta...
A tinta é o algoz
Que tira o capuz
Do artista

Sina do pintor
Servil criador
A tela lhe chama,
A tela lhe clama,

Pede cor e lhe conduz
Pela gama da luz

Servil Criador
Na ternura
Do pincel
No fel do suor

Criador e criatura
Escravo e senhor
Perdura a questão
Pintura ou pintor?
Quem é o senhor?
Quem é o senhor?

05 janeiro 2007

Reverso

enquanto a inspiração adormece, resta olhar para trás
[publicado originalmente em novembro de 2005]
Anatomized by Nature - João Figueiredo


Nos versos,
O reverso da vida
Na trilha,
O inverso da sina
Na fina e incerta neblina
Passos imersos
Em lava
Traços do universo
Que alucina
E trava batalha
Entre o que ensina
Pelo transverso sublima
Ou pelo perverso
Doar-se incompleto
Perdendo o nexo
Do que combina em verso
Mas não serve na rima
Ou do que agride o léxico
E não vira em rotina

21 dezembro 2006

presente de natal


.
Na festa que há nesse mês,
Muitos vão à fantasia.
Correm shoppings com avidez,
Em busca de sua alegria.
Esquecem que é outra a festa...
Não tem vermelho,
Não tem pinheiro
Não tem renas,
Nem jingle bells...
Nessa festa que vamos primeiro,
Tem um menino que dá seu conselho:
Deixe prá trás esses véus,
Que encobrem o que é verdadeiro!
A hipocrisia da falsa alegria,
Que consome o sentido de tudo.
Lembre da miséria contida,
Que observa aturdida o absurdo,
Que pede dinheiro na avenida,
Que de presente, tem a agonia,
Que implora um prato de comida...
Dê um sorriso, diga bom dia
Ao que espera de mão estendida.
Dê um presente a quem não conhece
E conheça a verdadeiro sentido
De um sorriso por anos contido.
Quem nada tem não esquece
De quem um dia atendeu sua prece.
Vá, é fácil! Diz o menino.
Faça um Natal diferente!
Faça sua parte, atenda o pedido!
De todos, esse é o único presente,
Que vai deixá-lo contente!
E na noite de Natal
Antes da ceia tão esperada
Faça a pergunta fundamental:
Consegui fazer o menino sorrir
Ou deixei o ano passar igual?
.
este poema é de 2005, mas a mensagem é eterna
FELIZ NATAL A TODOS

06 dezembro 2006

contradição


Fosse o certo, a razão, o consenso
Fosse o início, enfim o começo
Fosse o topo, o clarão mais intenso

Tivesse a forma, a ilusão, a magia
Tivesse o cheiro, lavanda ou jasmim
Tivesse o gosto, no verão melancia

Viesse voando, trapézio ou trampolim
Viesse o canto, em hinos, melodia
Viesse no mar, cruzeiro ou motim

Dissesse te amo, à noite ou de dia
Dissesse te odeio, sem sorriso e fantasia
Dissesse a que veio, beijo e fim...

Mesmo assim,
Fosse o que fosse
Tivesse o que tivesse
Viesse quando quisesse
Dissesse que me quisesse
Era você, só você que eu queria

23 novembro 2006

megarim

ehlo olhe
uet teu
ohlo olho
on no
ohlepse espelho
e e
erepse espere
èta a
...racsip piscar...

sioped depois
eugapa apague
a a
zul luz
e e
arbucsed descubra
me em
euq que
odal lado
àtse está

è é
eleuqa aquele
euq que
,arim mira,
eleuqa aquele
euq que
,amir rima,
uo ou
eleuqa aquele
euq que
arom mora
od do
odal lado
ed de
¿àl lá?

06 novembro 2006

água dos trópicos

.
Mormaço,
Cansaço
Que pesa
O passo.

Sol vermelho,
Alheio
Ao reflexo
No espelho.

Vento norte:
Sempre forte,
Ninguém escapa
Com sorte.

Distante,
Brilhante,
Relâmpago
Inconstante.

Clarão.
Trovão.
Estremece
A multidão.

Nuvem negra
Se entrega
E desaba
Sem trégua.

Uns para lá,
Outros pra cá.
Ledo engano:
Fuga não há.

Água descendo,
Gente correndo,
Temporal
Acontecendo.

Carro parado,
Desamparado.
Na espera
Que tenha acabado.

No horizonte,
Após a ponte,
Volta o sol
E brilha a fonte.

Tudo molhado,
Renovado.
Sem sorriso:
Carro enguiçado

Ainda tem pingos...
Dois pingos...
Parou?
Mais um pingo!

Lá no alto ,
Em sobressalto,
Volta o sol.
Arde o asfalto.

A Beleza
Da Natureza:
Após chuva,
Limpeza.

27 outubro 2006

e se



- E se eu tivesse atravessado o oceano em busca de um sonho?
- Eu não teria sonhado contigo tantas noites acordado.
- E se eu tivesse te segurado no ano que que foste prá longe?
- Eu não teria voltado de coração pungido e apertado.
- E se eu tivesse morrido de medo e não te quisesses de volta?
- Eu teria partido, sofrido, perdido, morrido despedaçado.
- E se eu tivesse casado com outro, parido um filho que não fosse teu?
- Eu teria olhado teu filho e sentido nele um pedaço meu.
- E se...
- Eu sempre estaria contigo.
- E se...
- Eu mesmo assim te daria abrigo.
- E se...
- Sossega teu peito e deita comigo.

13 outubro 2006

atrás do óbvio

Osmoses, João Figueiredo

Sonho empoeirado, travesseiro
Vontade indesejada, pesadelo
Fantasia escondida, paredes
Liberdade reprimida, voto
Suspiro prolongado, foto
Chegada esperada, porto
Despedida adiada, porta
Desespero contido, beijo
Perfume oferecido, leito
Madrugada estendida, sábado
Esperança adormecida, domingo
Receio camuflado, ato
Tristeza esmagada, sorriso
Novidade repetida, abraço
Verdade anunciada, cigana
Mentira descoberta, política
Dinheiro desviado, rua
Vaidade exagerada, gafe
Velho aposentado, fila
Coragem envergonhada, medo
Chantagem maquiada, lágrima
Sinceridade gratuita, criança
Camaradagem traída, costas
Orgulho destruído, ofensa
Saudade disfarçada, música
Miséria permitida, favela
Infância esquecida, África
Encanto proibido, sereia
Beijo ardente, halls
Mulher ensandecida, cuidado
Homem embriagado, paixão
Homens embriagados, confusão
Melodia pulsando, poesia
Vide verso, bula
Verso incompleto, despedida

29 setembro 2006

contra o vento




Troque o ritmo de vez em quando
Esqueça a rima, enfrente o óbvio
A estrada é longa e sinuosa
Deixe a bússola esqueça os mapas
(trastes inúteis nessas noites)
Siga setas imaginárias
Transpire mais que inspirar possa
Transforme uma estrela em pedra
Depois em rosa e despetale
Vá contra o vento em descompasso
Extremas jornadas se fazem
Em descobertas libertárias
Quando cansar, esqueça disso
Parar não lhe veste conquistas
Vãs vitórias são desperdícios
(é doce antes da amargura!)
Se a trama que te enreda o rumo
Te atira numa vida imunda...
Não há grito que te dê um basta
Ou faça do verso o olhar profundo

15 setembro 2006

versário


.
gira mundo
vira hora
mira fundo
vai-se embora
aniversário
.
passa o tempo
passatempo
passa a vida
pesa a vida
noticiário
.
vem a flor
vem calor
cai a folha
tira a folha
calendário
.
tempo roda
terra roda
hora roda
vida roda
sem horário
.
sem começos
sempre sigo
cem tropeços
centro-umbigo
imaginário
.
desce a sorte
vem de jato
trem do norte
quarenta e quatro
sem comentários

31 agosto 2006

humores




De medo, trago a ousadia
Depressa, travo meu passo
De ontem, já tramo meu dia
Independentemente, descompasso

Desejo de um longo abraço
Despejo a espera na face
Destino o choro ocultado
Invariavelmente, de riso e disfarce

De bobo, rio por inteiro
De porre, fala arrastada
De férias, Rio de Janeiro
Incansavelmente, vã gargalhada

De noite, ilumino a mente
De resto, sobra o passado
De onde não sei o que vem
Aleatoriamente, um poema espalhado