29 setembro 2006

contra o vento




Troque o ritmo de vez em quando
Esqueça a rima, enfrente o óbvio
A estrada é longa e sinuosa
Deixe a bússola esqueça os mapas
(trastes inúteis nessas noites)
Siga setas imaginárias
Transpire mais que inspirar possa
Transforme uma estrela em pedra
Depois em rosa e despetale
Vá contra o vento em descompasso
Extremas jornadas se fazem
Em descobertas libertárias
Quando cansar, esqueça disso
Parar não lhe veste conquistas
Vãs vitórias são desperdícios
(é doce antes da amargura!)
Se a trama que te enreda o rumo
Te atira numa vida imunda...
Não há grito que te dê um basta
Ou faça do verso o olhar profundo

15 setembro 2006

versário


.
gira mundo
vira hora
mira fundo
vai-se embora
aniversário
.
passa o tempo
passatempo
passa a vida
pesa a vida
noticiário
.
vem a flor
vem calor
cai a folha
tira a folha
calendário
.
tempo roda
terra roda
hora roda
vida roda
sem horário
.
sem começos
sempre sigo
cem tropeços
centro-umbigo
imaginário
.
desce a sorte
vem de jato
trem do norte
quarenta e quatro
sem comentários