26 julho 2006

noturno

Intrusos
Na noite de sono
Insones
No teu devaneio
Certeiros
No incerto abandono
Teus olhos
Teimam em enfrentar o desassossego na noite calada

Trêmulas
Na hora tardia
Cansadas
Não deixam de amar
Amantes
A espera do dia
Tuas pernas
Arqueiam para amar na infame e tarde madrugada

Molhada
De tanto beijar
Suada
De tanto querer
Brilhante
Na luz do luar
Tua boca
Consome o gosto do mar que brota na pele eriçada

13 julho 2006

2 me




Tem outro que vive em mim
Quando sorrio, me contém
Quando grito, me chama
Quando choro, me consola
Quando avanço, me detém
Quando paro, me olha
Quando desisto, me inflama

De dentro, ele pede e impede
Quando me contém, espaço
Quando me consola, um lenço
Quando me chama, barulho
Quando me detém, palhaço
Quando me olha, silêncio
Quando me inflama, mergulho

Neste desencontro em mim
Paradigma, dicotomia
Ora dizendo não, Ora que sim
Um que se joga e bebe d'água
E o outro se embriaga de absinto
No meu deserto ou ele naufraga
ou se recolhe ao labirinto

12 julho 2006

alma nova

No uni-verso da poesia, abro espaço pela primeira vez a uma música, na simplicidade poética de Zeca Baleiro

Sempre que te vejo assim
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí

e eu digo
calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir

então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu
sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento
tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer

e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender

Autor: Zeca Baleiro e Fernando Abreu