30 junho 2006

las luces de tus sueños


Noches calientes de verano,
Cuando el bien y el mal
Llevante por ventanas y caminos,
Por tenderos del quintal
Y puertas sin destinos.

Dejote unas cuestiones,
Duda para tus sueños:
¿Quien son los dueños
De tus emociones?
¿Quien son los mártires
De tus desastres?
¿Quien son los artífices
De tus catarsis?

Al temprano día, olvides todo!
Los signos de tus dolores
Son de otro nivel de colores
(Trampas que te hacen dolo)

23 junho 2006

ode a ida




Vago
Perambulo no crepúsculo desse amor

Cego
Perante a noite que obstina tua partida

Trago
Um cigarro para acabar sem teu torpor

Mudo
De lugar em busca de tua voz desvanecida

Grito
Um mudo e vago sussurro, meu clamor

Sumo
No cego adeus que trago e não evita a ida

Bebo
Bêbado, transpasso o limite da razão

Nego
O fim, o meio de se ter a despedida

Juro
Obstar-te o rumo do teu sonho de ilusão

Morro
Por não ter-te dito o que matou-me em vida

18 junho 2006

um todo

Originalmente publicado em 14/10/2005
.
Twin Souls, João Figueiredo


Um passo, um abismo
Uma gota, oceano
Um traço, cubismo
Um alô, foi engano

Um verbo, um provérbio
Um ano, um milênio
Um gole, um ébrio
Um cigarro, oxigênio

Um grão, enseada
Outro grão, plantação
Um violão, serenata
Do átomo, constelação

Uma cigarra, verão
Uma brisa, temporal
Um adeus, solidão
Um ponto, um final

09 junho 2006

a cordialidade cínica

Desde que o Uni-verso In-verso passou a interagir com as obras de João Figueiredo, alguns poemas foram reeditados, como esse publicado no início desse blog, em 21/09/2005...

Quando a cordialidade do olhar de quem te mira
Contiver o cinismo sorridente da mentira
Ou o mesmo sorriso amplo de quem lhe agrada
Esconder fel, sarcasmo e gargalhada
O abraço frouxo de quem se aproxima
Disfarçar os grilhões que a falsidade legitima
E o beijo seco no seu rosto no meio da rua
A ocultar o comentário fácil sobre sua alma nua:

A verdade, sempre a verdade!
Mas como dizer a verdade é uma mentira!

A cortina dos olhos de quem lhe expia
Pode esconder o nojo que macula e contagia
E o desejo de bom dia que lhe oferta
Refletir um vá para o inferno, na certa
Na podridão de um aceno estereotipado
A náusea de sentir-se abandonado
Duvide então de todo falso sentimento
E lembre de fugir enquanto é tempo:

A verdade, sempre a verdade!
Mas como dizer a verdade, mentira!

Negue sempre o sorriso fugaz
Abrace somente a quem lhe apraz
Não seja cordial por compromisso
Ninguém tem nada a ver com isso
Beije espontaneamente quem lhe mereça
Mas olvide-se de estalos e desapareça
Do olhar de quem encharca de vazio
E ocupa sua vida de um nada pueril

02 junho 2006

vago

Cerra os olhos diante da noite
Joga teu corpo ao abandono
Levita em direção ao sono
És refém perante o que foi-te
.
Atira-te ao mundo perdido
Que percorre qualquer distância
Nega teu peso e a constância
Do tempo ora transcorrido
.
Transcende à janela ilusória
Persegue esse teu último abismo
Flutua no teu nada, niilismo
Mergulha enfim na tua memória
.
Pela manhã ao despertar-te
Repousa mais um minuto
É imperativo e absoluto
Retornar ao que te reparte
.
Pois na cinza bruma dormente
Restam agora sensações
Tremeu teu corpo em turbilhões
De sentidos presos na mente