24 fevereiro 2006

Amplexo


Através da superfície de tua pele
Arrepio que invade teu cio
Fetiche de uma noite de frio

Abertas as passagens do gozo
Teu rosto sua e estremece
A prece de Vênus eu repouso

As pernas se arqueiam e pedem
Trôpegos relâmpagos de afeto
E apertam meu corpo objeto

As bocas com sede de sexo
Amplexo de corpos ardendo
Sedentos de fluidos, gemendo

Transpasso macia pluma
Na bruma que me enlaço
Braços que rompem espaços

No clímax de suor misturado
Movimentos, ritmo acelerado
Clamor sem traço no tempo

E agora teu sorriso sereno
Peles sensíveis em pleno
Preciso e suave momento

Deito meus olhos nos teus
Traço em teu braço um afago
Capto o arraso de um adeus

Levantas de meu lado e segues
Busca tuas vestes e me despes
De esperança de ter-te entregue

Em transe meu corpo ali vibra
Teu gosto resta em meus lábios
E o coração que não bate, fibrila

Presságio de um corpo molhado
Que desprende uma parte que parte
E o que fica é o vazio a esperar-te

17 fevereiro 2006

vai e vem



Tem um trem que vem
Tem um trem chegando
Tem um trem que tem
Um toque repicando

Em frente tem um tom
Em frente vem o som
De todo lado vem o povo
Ver o que ele traz de novo

Ele já vem parando
E avisa a todo gente
Tem parente impaciente
De saudade já chorando

Tem mocinha esperando
Um amor muito profundo
Tem menino carregando
Um baú quase sem fundo

Vai chegando... vai chegando
Está parando... já parou!
A fumaça se espalhando
Está sorrindo quem chorou

Tem abraço apertado
Antes de pisar no solo
Menina querendo um colo
Velhinho espera sentado

De amor e de amizade
Coração recompensado
Deixam pra trás a saudade
Tem seu amado do lado

Antes que tudo termine
Nó na garganta sentindo
As portas abertas recebem
Quem já se vai partindo

Dói para quem fica pra trás
Dói para quem parte acenando
Na outra estação quiçá
Um amor está esperando

E vai o trem tocando
O sinal da curva à frente
E vai o trem balançando
A dor que fica latente

Faz a curva adiante
Corre, corre pela ponte
Do túnel sai radiante
E mergulha no horizonte!

08 fevereiro 2006

fornada



Se for nada ou tudo
Fornada de verso
Conduto forçado
Transverso traçado

Minha mente
Me surpreende.
É um forno
De formas
Inusitadas

E de repente
Transformo
Ou deformo
Palavras
Contraditadas

É o que sente
Ao que contempla
O corpo que arrepia
Metáforas
Inesperadas

Incongruente:
Substantivo solto
Adjetivo novo
Traquinagens
Verbalizadas