19 janeiro 2006

vide verso


Cada verbo tem seu parceiro
Cada sujeito seu companheiro
Como espelho frente e verso
Toda palavra tem seu in-verso

Todo poema é seu reflexo
O segredo da rima é o nexo
Revela o uni-verso e seu mistério
E o re-verso é verdadeiro

Primeiro o senso da letra
Depois o intenso da linha
O ritmo é a graça do meio
A estrofe o sabor por inteiro

No fim ao leitor o que resta
É a idéia vaga ou correta
Do que quis dizer o poeta

13 janeiro 2006

chama do tempo



O catavento
Não cata o vento
Só espalha
Incansavelmente

O pára-raio
Não pára o raio
Ele o atrai
Traiçoeiramente

Ontem se foi
Se foi e não tem
Quem o tenha.
Se o diz, mente

Não se come
Do fruto
Que está no futuro
Infinitamente

O tempo chama
Tempo é chama
Que queima
Ininterruptamente

05 janeiro 2006

último eco eco

João Figueiredo

Quando ela parava ava ava
No meio do nada ada ada
Olhava pra trás trás trás
E nem sua sombra ombra ombra
Lhe acompanhava ava ava
Um salto no silêncio êncio êncio
No abismo lhe chamava ava ava
Bastava um impulso ulso ulso
E tudo se acabava ava ava
Lá no fundo da noite oite oite
À beira do abismo ismo ismo
Como se fosse açoite oite oite
Seu coração palpitava ava ava
E no próximo passo asso asso
Um descompasso fugaz ugaz ugaz
Um raio de sol de sol sol
Encontrou seu olhar olhar olhar
Quis voltar atrás atrás atrás
Mas já não deteve a queda eda eda
Seu corpo rodava ava ava
De encontro à pedra edra edra
O último grito ito ito
Já não ecoava