Uni-verso In-verso

15 Maio 2007

O fim do Uni-verso



Amigos leitores:

O ciclo do Uni-verso está se fechando. Nesses 20 meses, foram 47 posts com quase 7000 visualizações e, destas, mais de 500 resolveram deixar comentários.

Deixo aqui um resumo em forma das in-imagináveis visões do artista que me acompanhou e me acolheu Atlântico afora, o português João Figueiredo, mesclado por pequenos versos em retalhos de diversos poemas que aqui nasceram, como se o Uni-verso tivesse finalmente explodido ao som de Madredeus.

Sobreviverá a poesia ao fim do Uni-verso?

Sim. Pairarão sobre o nada e se cristalizarão noutro blog, ainda em gestação. Restam, por enquanto, meus outros blogs que seguem sua história, Contos & Encontros e Mini Contos Cotidianos, ou mesmo aquele que já passou para o lado de lá, Antes que Anoiteça, mas que, mesmo encerrado, continua sendo visualizado 150 vezes por mês.

A todos amigos, meu muito obrigado e até breve. Fiquem à vontade em assinar o livro de lembranças nos comentários. Quem sabe nos vemos de novo em alguma livraria?

23 Março 2007

jogo de cena

post original de dezembro de 2005

Mirror Limbs - JoãoFigueiredo
O algoz de tuas melhores idéias
É o teu poderoso senso crítico
Que na lógica das centopéias
Tudo pisa com seu olhar analítico

Já o refém de teus pesadelos
É o medo de enfrentar tormentas
Mesmo que fuja para não tê-los
Prendem-te ao que lamentas

O vilão oculto de teus planos
Ronda sorrateiro tuas noites
Faz do certo teus enganos
E de carinhos rudes açoites

A vítima de tal mal-fadada sina
É a esperança que se desfaz
De encontrar a cada esquina
Refúgio tranqüilo de tua paz

Há ainda o juiz de teu gesto
Que a tudo pondera e resgata
Procura o equilíbrio indigesto
Entre o que agrada e destrata

Nesse cenário de grito e gargalhar
Moram os personagens de tua vida
Fazendo-te sorrir sem menos esperar
Ou chorar por cada perda contida

E no palco o que se encena
Para alguns é mera tragédia
Mas ao teu destino o que acena
Tem a força de ironia e comédia

06 Março 2007

contigo soy

originalmente publicado em 30/11/2005
.
Quatro Caminhos (acrílico sobre tela)
Cerca de tus ojos
Soy un mar hermoso
Lejos, tenebroso
Cerca de tus pelos
Estrellas en navidad
Lejos, un cielo rojo
Noche de soledad
Tú sonrisa: playa en el verano
Tú ausencia: en glaciares, yo desnudo
Eres el sí, el más, el todo
Sin tú, yo roto, desarreglado y muerto.

06 Fevereiro 2007

no ventre in-verso

[originalmente postado em 27/01/2006]

siga teu caminho, seja o rubro, o negro, o reto ou in-verso. Há mais na poesia que na vã filosofia...



O verso de meu verso
Assanha a alma insana
Conta o que encontra
Converte o que verte
O verso do verso dos meus versos
Acalma a estranha alma
Afronta o que não tem entranhas
Reverte o ventre
inerte
Já os versos sem verso
São espelhos sem ilusão
Palavras sem sombra
Penumbra
e solidão

19 Janeiro 2007

pintor e criatura

[postado originalmente em dezembro de 2005]




No espaço que cabe
Arte e labor
De um traço
Nasce um corpo
Das cores em torpor
Vem um passo,
Voa um pássaro,
Anjo que vê a luz
Que escolhe e seduz
Atrás dos contornos

A tinta...
A tinta é o algoz
Que tira o capuz
Do artista

Sina do pintor
Servil criador
A tela lhe chama,
A tela lhe clama,

Pede cor e lhe conduz
Pela gama da luz

Servil Criador
Na ternura
Do pincel
No fel do suor

Criador e criatura
Escravo e senhor
Perdura a questão
Pintura ou pintor?
Quem é o senhor?
Quem é o senhor?

05 Janeiro 2007

Reverso

enquanto a inspiração adormece, resta olhar para trás
[publicado originalmente em novembro de 2005]
Anatomized by Nature - João Figueiredo


Nos versos,
O reverso da vida
Na trilha,
O inverso da sina
Na fina e incerta neblina
Passos imersos
Em lava
Traços do universo
Que alucina
E trava batalha
Entre o que ensina
Pelo transverso sublima
Ou pelo perverso
Doar-se incompleto
Perdendo o nexo
Do que combina em verso
Mas não serve na rima
Ou do que agride o léxico
E não vira em rotina

21 Dezembro 2006

presente de natal


.
Na festa que há nesse mês,
Muitos vão à fantasia.
Correm shoppings com avidez,
Em busca de sua alegria.
Esquecem que é outra a festa...
Não tem vermelho,
Não tem pinheiro
Não tem renas,
Nem jingle bells...
Nessa festa que vamos primeiro,
Tem um menino que dá seu conselho:
Deixe prá trás esses véus,
Que encobrem o que é verdadeiro!
A hipocrisia da falsa alegria,
Que consome o sentido de tudo.
Lembre da miséria contida,
Que observa aturdida o absurdo,
Que pede dinheiro na avenida,
Que de presente, tem a agonia,
Que implora um prato de comida...
Dê um sorriso, diga bom dia
Ao que espera de mão estendida.
Dê um presente a quem não conhece
E conheça a verdadeiro sentido
De um sorriso por anos contido.
Quem nada tem não esquece
De quem um dia atendeu sua prece.
Vá, é fácil! Diz o menino.
Faça um Natal diferente!
Faça sua parte, atenda o pedido!
De todos, esse é o único presente,
Que vai deixá-lo contente!
E na noite de Natal
Antes da ceia tão esperada
Faça a pergunta fundamental:
Consegui fazer o menino sorrir
Ou deixei o ano passar igual?
.
este poema é de 2005, mas a mensagem é eterna
FELIZ NATAL A TODOS